04.02.2010 - 10:10 · deixe seu comentário · ler comentários (0)

"Católicas pelo Direito de Decidir repudia tanto o intervencionismo autoritário da hierarquia da Igreja, quanto a subserviência do governo federal, que, visando às eleições, joga no lixo o processo de debate público realizado amplamente com a sociedade brasileira para chegar ao texto do Programa Nacional de Direitos Humanos lançado em dezembro de 2009", afirma a nota.
Em seu site na internet, o grupo Católicas pelo Direito de Decidir se apresenta como "entidade feminista, de caráter inter-religioso, que busca justiça social e mudança de padrões culturais e religiosos vigentes em nossa sociedade, respeitando a diversidade como necessária à realização da liberdade e da justiça". Originário dos Estados Unidos, atua em forma de rede em vários países da América Latina defendendo o direito das Mulheres de tomarem decisões sobre todos os campos de suas vidas, incluindo o aborto.
Conta com o apoio de teólogos, ligados à Teologia da Libertação, e desfruta de respeito em debates internacionais, mas é repudiado pela cúpula da Santa Sé. No ano passado, representantes da organização participaram dos debates organizados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, sob a coordenação do ministro Paulo Vannuchi, que resultaram no texto do programa.
Segundo o texto, a interferência dos bispos é indevida: "O Estado, numa sociedade realmente democrática, deve ser laico e não pode se pautar pelas exigências e pressões Políticas de nenhuma religião, nem mesmo da religião majoritária."
Para a organização o governo sucumbiu a pressões. Em apenas um momento Lula é defendido: quando a nota repudia a comparação dele com Herodes, feita pelos bispos. Para as católicas, é "desrespeitosa" a identificação do presidente com a "figura de um homicida".
A nota sugere que o governo recuou temendo os efeitos das questões polêmicas no debate eleitoral já em curso. Para as católicas, o direito das Mulheres não poderia ter sido usado "como moeda de troca num contexto de jogo político".
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